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[A nascente da antiga Buvete]

 

Época termal
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Indicações

No tratamento das manifestações internas da escrofula, engorgitamentos ganglionares das cavidades, inflamação sub-agudas e crónicas da mesma diatese na faringe, brônquios, intestinos, órgãos sexuais e urinários, e algumas formas de clorose e anemia, bem como em certas dispepsias e moléstias crónicas do fígado e baço. Externamente são muito preconizadas contra as manifestações escrofulosas e dermatoses de diferentes espécies” (Lopes, 1892, 133)
Adenopatias tuberculosas, Escrofulose, Dermatoses, Dispepsias, Reumatismo, Catarros das mucosas. (Correia, 1922)
Dermatoses e Reumatismo

Tratamentos/ caracterização de utentes

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Instalações/ património construído e ambiental

Lopes (1892) refere além do Balneário com 19 tinas, construído em 1885, um hotel em construção.
Sarzedas(1907) relata 3 construções, balneário, casa da máquinas e hotel. O balneário contava, com consultório, secretaria, sala de espera, 30 cabines com banheiras de mármore ou cimento, duches, a buvete encontrava-se sobre o reservatório de captagem, onde chegavam as águas de 3 nascentes diferentes fazendo um caudal de 3 milhões de litros dia.
Nesta publicação dá-nos ainda alguns elementos sobre o ambiente, a empresa exploradora das águas adquiriu uma grande parte dos terrenos palúdicos da região, arborizou-os e cultivou-os de modo a modificar as suas emanações palustres, mas considerava que esta arborização deveria ser acompanhada com uma legislação: “A proibição em absoluto, da cultura do arroz numa determinada área daquela região…”   
Le Portugal Hydrologique et Climatique III ( 1934-35, 605) são descritos dois balneários: um de 1ª classe, com 27 banheiras de ferro esmaltado e uma cabine para irrigações vaginais; outro edifício para 2ª e 3ª Classe, com 18 banheiras em calcário e cimento, contava ainda com sala de duche escocês e circular.   
Todas estas construções não são hoje mais que ruínas. Curiosamente nestas descrições nunca foi referido as construções do outro lado da linha de caminho de ferro, também em ruínas encontra-se uma casa apalaçada com as suas janelas ogivais, muros de jardim com pequenas guaritas, restos do que foi um pavilhão de jardim e um capela de fachada imponente para a sua dimensão, a que servia? Era residência do proprietário ou hotel de 1ª classe? O jardim têm todas as características de um parque termal, mas seria essa a sua função?

A emergência de água dá-se na antiga buvete, ao lado esquerdo da entrada, um pouco abaixo do nível do solo a água jorra em bom caudal por quatro orifícios feitos numa “arca” de pedra. 

 

Natureza

Cloretadas sódicas e bicarbonatadas cálcicas (Águas e Termas de Portugal,1918)    

Cloretada carbonatada (29º) (Calado, 1995)

Alvará de concessão

1893 – Alvará de Concessão 20 de Abril, publicação:  DG, nº 115, de 23/5/1893. a favor da Companhia das Águas Termais da Amieira.
1910 – Alvará de Transmissão, publicação: DG, nº 39, de 19/11/1910.

1931 – Alvará de Transmissão, publicação: DG, nº 194, 2ª série,  de 22/08/1931.

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Historial

Desde de finais do séc. XVIII, até a construção do Balneário em 1885, os doentes tomavam banho em poças que abriam no terreno pantanoso. Em 1884 foram analisadas por Santos e Silva (1885), comentando que as obras de captação ainda não estavam completas a essa data (Acciaiuoli, 1944,III,30). 
Lopes (1892) descreve-as: “Caldas da Amieira, a pouco metros do apeadeiro de caminho-de-ferro […] tem um pequeno número de fogos, capela e o estabelecimento explorador das águas […] As nascentes aparecem na vertente de uma montanha, à beira de uma enorme planície, atravessada a norte pelo Rio Pranto […] São em número de três, comunicando entre si no espaço em que estão captadas, dão em 24 horas um caudal de 3.891.888 litros […]. A abundância deste manancial permite que as águas sejam aproveitadas para o estabelecimento balnear; para a grande exportação que é feita para todo o Portugal e África, e ainda para lagos cascatas e regas, etc.  
Estas águas, que foram as primeiras no nosso país classificadas como cloretadas, e que pela sua composição e excelente forma de captagem têm merecido prémios em todas as exposições a que tem concorrido, apresentam na origem 20º de temperatura. São porém, cuidadosamente aquecidas por uma máquina a vapor, a fim de sem alteração da sal virtude curativa e da sua constituição poderem ser usadas nos banhos medicinais.
Descreveu depois os balneários: “ Várias classes de banhos com 19 tinas, piscina, e os mais modernos aparelhos para todo o género de duches…” Contava ainda com uma oficina de enchimento de garrafas que “exportava para diferentes pontos do país e para África”.
Sarzedas (1907) considerou-as das mais frequentadas do país, com uma média de 1200 a 1300 aquistas ano, proponha uma melhoria das instalações que se apresentavam tal como na sua fundação, esperava que o novos arrendatários, a quem a companhia tinha passado a sua exploração : “ se interesse pelos cuidados a prestar à estância, e consequentemente aos seus frequentadores e até aos seus próprios lucros”.
Em 1910 o alvará de concessão mudou de mãos, foram então feitas obras de renovação. Sabemos pela viagem de estudo dos alunos, do 5ºAno da Faculdade de Medicina do Porto, das modificações executadas na Amieira: “ Tem uma única nascente situada ao fundo de uma escavação de 3m de profundidade… a nascente situada dentro de uma gruta artisticamente feita… são utilizadas em dois edifícios próximos, destinado o mais antigo a banhos de 2ª e 3ª classe. O balneário moderno de construção recente … possue salas de inalações, pulverizações, e duches de agulheta, circulares, vaginais e periniais. Os Banhos de imersão são dados em gabinetes espaçosos … tem cada um tina de ferro esmaltado.” (Fontainhas, 1912) 
A sua radioactividade foi estudada por Constanzo (1909), determinado que esta era devido ao rádio que continha. Em 1911 foram analisadas por Lepierre que lhe atribui uma mineralização total 1002,2 mg/l , marcada pela presença de cloro e sódio.   
Na Vistoria de 1923 a situação do balneário não se tinha alterado. Nova vistoria em 1928 remarca que a buvete construída sobre o depósito ameaçava ruína, as obras foram efectuadas no ano seguinte sem estarem aprovados os projectos. (Acciaiuoli, 1944,III,30)
Sabemos pelos relatórios de Acciaiuoli das décadas de 30 e 40, que deixara de funcionar o hotel, hospedando-se os aquistas na Figueira da Foz. A sua frequência era cada vez menor, no ano de 1946 teve 338 inscrições das quais 76 foram gratuitas, a razão principal deste afastamento atribuía o autor à cultura do arroz nesta região palúdica.    
No Anuário(1963) o balneário é classificado como modesto do tipo rural, quanto aos arrozais comenta: “A região está presentemente isenta de mosquitos devido á acção das brigadas anti-sezonáticas de Montemor-o-Velho”. Mas a decadências destas termas já era notória o parque e capela anexa encontravam-se “desprezados”.  
Actualmente a capela o hotel e o parque formam um romântico conjunto de ruínas, classificado como edifícios de Interesse Municipal pelo PDM/1994. Em ruínas encontra-se também os antigos balneários, pensão e outros anexos destas termas que já foram das mais frequentadas de Portugal, onde a água mineral corre em grande caudal por três bicas num espaço abaixo do nível do solo, junto do que resta do antigo portão de acesso às termas.  

Todo o complexo é actualmente pertença da Câmara Municipal de Soure, encontrando-se em elaboração um projecto de recuperação do espaço para fins termais e de lazer 

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Alojamentos

O hotel está regularmente instalado  (Sarzedas, 1907), uns anos depois surgia também uma pensão, e do outro lado da linha um possível hotel de luxo, tudo actualmente em avançado estado de ruína.

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Recortes

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Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a;  1948b; 1949-50; 1953. Araújo 1905, Bastos 1936/7, Brandt 1881, Calado 1995, Carvalho 1891, Choffat 1893, Coelho 1889, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Contreiras 1941, Correia 1922, Contanzo 1909, Fontainhas 1912, Lemos 1889, Lopes 1892, Lopes 1889, Lopes 1889b, Lepierre 1911, Machado 1897, Martins 1898, Melo 1923, Narciso: 1920; 1920b; 1947.Pamplona 1935, Rocha 1885, Rocha 1890, Sarzedas 1907, Silva 1908, Silva 1885, Silva 1892, As águas cloretadas da Amieira 1885,As águas cloretadas da Amieira, Águas e Termas de Portugal 1918, Águas minerais do Continente e Ilha de S.Miguel.1940, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963 ,Catálogo descritivo da Secção de minas da Exposição Nacional de Industrias fabris de Lisboa 1889, Le Portugal Hydrologique et Climatique 1930-42, O que se deve saber sobre as águas da Amieira 1911, Relatórios clínicos da direcção da Companhia de Águas termais da Amieira 1884-94, Termas de Portugal 1947.

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Dados gerais

Distrito
Coimbra

Concelho
Soure

Freguesia
Samuel         

Povoação/Lugar
Termas da Amieira 

Localização
No vale da ribeira de Pranto, afluente da margem esquerda do Mondego. No sopé do monte do Barril, junto da Estrada municipal de Vinha da Rainha para Abrunheira, a 2km para norte das Termas da Azenha.  

Província hidromineral
A   / Bacia hidrográfica do Rio:  Mondego        

Zona geológica
Orlas Mezo Cenozoicas

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas sedimentares (arenitos, areias) – na extremidade do diapiro do sul Mondego.    

Dureza águas subterrâneas
200 e 300 mg/l de CaCO3

Concessionária

Actualmente toda a propriedade é da Câmara Municipal de Soure

Telefone
(CM) 239506550/1525/2037

Fax
n.d.

Morada
Câmara Municipal de Soure
Morada: Praça da República – Soure

E-mail / site

n.d.