AVISO: A informação disponibilizada neste site tem como data de referência o ano 2002 e pode encontrar-se desactualizada.


[O rio Côa na Fonte Santa]

 

Época termal
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Indicações

Gastroenterites, artritismo e doenças de pele (Contreiras, 1951)

Reumatismo e dermatologia

Tratamentos/ caracterização de utentes

2003 foi o ano zero das termas, que funcionaram em regime experimental com cerca de 40 aquistas.

 

Instalações/ património construído e ambiental

Na margem direita do rio Côa, o local das termas é um espaço aberto sobre o leito do rio numa larga curva do seu curso. Para jusante e montante adivinha-se o estreito vale do rio, talhado em tempos glaciares.
O local da fonte descrita no Aquilégio ainda se conserva, embora com modificações posteriores, e é possível imaginar os “moradores” a tomarem banhos ou "lavando com ela as partes exulceradas ou pruriginosas". Trata-se de um pequeno terreiro quadrangular a um nível inferior à cota do terreno, que em tempos terá sido aberto sobre o leito do rio. Uma bica , "pouco copiosa", deita sobre um tanque uma água que vai deixando o seu depósito de sais de enxofre, originária de uma mina que se vê um pouco mais acima.
Este “terreiro” tornou-se pátio da edificação recente destinada a bar e sala de convívio, que o fecha no lado voltado para o rio, tornando a velha fonte num elemento decorativo da arquitectura que se edificou já neste século XXI.
O complexo termal e as suas edificações são de dois períodos diferentes: temos os pavilhões construídos no final da década de 1970, actualmente abandonados, também dispostos em volta de um terreiro-esplanada, formando um “U” virado para o Côa. O primeiro corpo – perpendicular ao rio – era zona de hospedaria e restauração. O segundo corpo – paralelo ao rio – é talvez de construção de finais do século XIX ou início do século XX e deveria corresponder aos antigos balneários. A fechar este U temos outra construção semelhante ao primeiro corpo, que possivelmente servia também de hospedaria.
A partir de 2000 todo o local sofreu uma intervenção urbanística que visa criar, além da parte termal, uma parte de lazer, onde se inclui uma praia fluvial, campo de jogos e um longo terreiro-esplanada sobre o rio, onde haverá um bar-sala de convívio.

Na parte técnica da intervenção mais recente, a relevância vai para dois furos (que se encontram no parque estacionamento), a partir dos quais é feita actualmente a captagem de água que fornece o balneário provisório, uma construção pré-fabricada em madeira com uma área de cerca de 120 m2.

 

Natureza

Sulfúrea sódica (Calado 1992)

Bicarbonatada sódica sulfúrea (IGM, Termalbase)

    

Alvará de concessão

Contracto actual, 10/01/1992, com área reservada de 58,86

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Historial

“ No termo da vila de Almeida […] há uma fonte a que chamam Santa, pouco copiosa, mas de água que passa por minerais de enxofre, que claramente pelo cheiro se reconhece. Usam delas os moradores para sarnas, comichões, proidos, chagas rebeldes, assim tomando banhos, como lavando com ela as partes exulceradas ou pruriginosas.” (Aquilégio 1726)
Tavares (1810: 64) escreveu um curto parágrafo sobre esta nascente: “Longe de comodidades, é sulfúrea fria. Sua água pode usar-se bebida sendo transportada acauteladamente; e em banho aquecendo-se. Usam dela os vizinhos moradores do sítio com utilidade reconhecida
Em 1819, Jacinto Costa refere-se a estas águas, na "Farmacopea Naval e Castrense", com um texto semelhante ao anterior.
Do texto de Lopes (1892: 123) ficamos a saber que ainda não existia balneário: “É usada como bebida, e em banhos depois de transportada para tinas colocadas nas casas particulares, pois que não há estabelecimento termal”
Na Águas de Portugal, Minerais e de Mesa – História e Bibliografia (1944) do engenheiro Acciaiuoli, o 5.º volume é dedicado a uma listagem sumária de nascentes não concessionadas, onde o autor mencionou uma pequena casa em cantaria sobre a nascente construída em 1896 , e um balneário com seis quartos construído em 1925.
Amaro Almeida (1975) descreveu o local: "O Poço Santo é uma represa fechada de água que rompe do maciço de granito e que aqui se junta para correr em desnível para o balneário, este consta de cinco banheiras em tijolo e cimento e uma em esmalte e da caldeira de aquecimento."
No final da década de 1970 a Câmara de Almeida faz uma primeira tentativa de criação de um estabelecimento termal, construído um pavilhão para balneários mas as obras nunca seriam concluídas.
Em meados da década de 1990 a Câmara Municipal de Almeida anuncia um grande projecto para a Fonte Santa, relatado na "Gazeta das Caldas" a 23 de Outubro de 1998: “O empreendimento orçado em sete milhões de contos, previa a construção de uma residencial para 576 idosos, que seria frequentado em 70% por reformados estrangeiros; hotel de três estrelas com cem quartos, piscinas e espaços lúdicos e culturais[…] Aldeamento para albergar os cerca de quatrocentos e cinquenta trabalhadores estimados para operar na estância. […] Este projecto abortou, devido por um lado à mudança de executivo mas, essencialmente, ao enorme investimento previsto. A actual Câmara decidiu, então, mandar elaborar um projecto para revitalizar as termas, de uma forma realista.” (Mangorrinha, 2002).

Em 2003 as termas da Fonte Santa iniciaram a sua actividade num balneário pré-fabricado, em regime experimental. Nesse mesmo ano o jornal "Terras da Beira" noticiava a atribuição de uma verba para revitalização da Fonte Santa: “A acção integrada de Base Territorial (AIBT) do Vale do Côa atribuiu uma verba de 600 mil contos à Câmara Municipal de Almeida para proceder à revitalização das Termas da Fonte Santa […] Inclui a conclusão dos balneários, já existentes, a colocação de banheiras de hidromassagem, a adaptação de outro edifício para sala de convívio e a construção de infra-estruturas de água e saneamento.” (Terras da Beira, 25/8/03)

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Alojamentos

O local das termas não dispõe de alojamento, mas em Almeida há duas residenciais e uma pousada da Enatur

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Recortes

Público, 3/3/04 (Gustavo Brás) – Termas da Fonte Santa em risco de serem alagadas –Câmara de Almeida receia pelo aquífero termal. / Terras da Beira, 25/9/03 (Elizabete Gonçalves) – Uma obra por concretizar – Fonte Santa de Almeida/ Jornal Nova Guarda, 28/2/01 (Alcina Gomes) – Almeida, Meda e Sabugal – Termas unem municípios./ Terras da Beira, 26/03/98 (Gustavo Brás) – Revitalização das Termas da Fonte Santa de Almeida/ Terras da Beira, 22/05/97 (Gustavo Brás) – Pereira de Trevo ao peito

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Bibliografia

Acciaiuoli 1944, Acciaiuoli 1949-50, Almeida 1975, Calado 1992, Barbosa 1858, Brandt 1881. Chernovitz 1878, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Costa 1819, Henriques 1999, Lopes 1892, Madail 1895, Mangorrinha 2002, Perdigão 1845, Silva 1896, Tavares 1810, Vale 1845, Le Portugal Hidrologique e Climatique 1930-42

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Dados gerais

Distrito
Guarda

Concelho
Almeida

Freguesia
Almeida       

Povoação/Lugar
Fonte Santa 

Localização
Na margem direita do Côa. Tomando a EN Almeida-Figueira de Castelo Rodrigo, a cerca de 1 km um desvio à esquerda leva ao lugar das termas.  

Província hidromineral
B/ Bacia hidrográfica do Rio Douro      

Zona geológica
Maciço Hespérico – Zona Centro-Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas magmáticas (granitóides)   

Dureza águas subterrâneas
0 a 100 mg/l de CaCO3

Concessionária

Câmara Municipal de Almeida

Telefone
271570020/1 (vereadora Dr.ª Natércia Ruivo)

Fax
n.d.

Morada
Lg. Abrantes Almeida 6350-130 Almeida

E-mail / site

n.d.

 

Vista geral do Balneário

A antiga fonte