AVISO: A informação disponibilizada neste site tem como data de referência o ano 2002 e pode encontrar-se desactualizada.


[A vila de Manteigas vista das Caldas]

 

Época termal
1 de Março a 30 de Novembro

Indicações

Reumatismo, vias respiratórias, hemorróidas, doenças das senhoras e pele (Contreiras 1951)

Aparelho respiratório, doenças reumáticas e músculo-esqueléticas (folheto de divulgação)

 

Tratamentos/ caracterização de utentes

A equipa técnica é constituída por 2 médicos e 13 técnicos de balneoterapia.
Tratamentos de balneoterapia: banho de imersão, hidromassagem, bolha de ar e duche subaquático; vapores à coluna parcial e nebulização colectiva; duches de Vichy, escocês e de agulheta. Tratamentos ORL: Aerossol termal e ultra-sónico; inalações; irrigações e pulverizações.
Fisioterapia: massagens gerais e parciais, electroterapia, calor húmido e ginásio.
Cerca de 50% dos utentes são da região. O horário da manhã é o preferido pelos aquistas, com uma frequência de 85% no total dos tratamentos.
Em 1998 teve a inscrição de 1644 aquistas. Em 1999 e 2000 os balneários estiveram fechados. Reabrindo em Agosto de 2001, tiveram nesse ano 1431 inscrições.
"A procura é essencialmente de pessoas com mais de 40 anos, é uma faixa etária elevada, embora já haja pessoas mais jovens, que vêm mais não para tratamentos, mas para lazer. Estamos a começar a dar mais importância a essa componente de «Bem-estar», que ainda não temos, e estamos agora a fazer uns pacotes a ver se começamos a divulgar essa parte. Mas os médicos não são muito receptivos a isso, mas estamos a chegar a um acordo e penso que em breve iremos arrancar com esses programas." (João Ramos)

Actualmente o balneário tem capacidade para 3000 aquistas por ano.

 

Instalações/ património construído e ambiental

As nascentes tradicionais dividiam-se em três grupos: O Grupo das Caldas, na margemesquerda do Zêzere, sobre o qual foi construído o balneário; O Grupo da Fonte Santa, na margem direita do mesmo rio, 200 m a montante do primeiro grupo; e várias emergências no leito do rio, cerca de 500 m também para montante.
As nascentes das Caldas servem actualmente a um aproveitamento geotérmico para aquecimento de águas comuns do balneário, como nos contou o responsável pelas termas: "Aqui é o aproveitamento geotérmico, eram furos antigos que foram desactivados, só que continuam a deitar água também sulfúrea, mais quente ainda que a outra. Estamos a fazer aqui uma experiência, que está só a funcionar para este edifício do balneário, um aproveitamento geotérmico: a água da rede entra e está aquecida a 42 graus, vai entrar nas nossas caldeiras à temperatura de 41º, e para a elevar para os 60º é só preciso um bocadinho de calor. Este aproveitamento é só para águas de banhos comuns, e por agora está só neste edifício mas vamos estendê-la ao hotel. Isto é energia para o edifício todo, para pouparmos." (João Ramos)
A alimentação de água termal para o balneário faz-se actualmente por dois furos artesianos, o AC1 e o AC2, que se localizam na parte traseira do edifício do balneário, de onde a água é conduzida para três depósitos de aço inox de 25.000 litros cada, sendo bombeadas na cave do edifício e seguindo depois para os vários tratamentos.
O balneário foi construído na década de 1970, ao gosto de arquitectura pública de saúde da época, e era então explorado pelo Centro Regional de Segurança Regional da Guarda. Trata-se de uma construção de três pisos, com uma área de implantação de cerca de 1000 m2. Em 1999 o balneário encerrou para obras de renovação total, ocasião em que se procedeu às novas captagens e instalação de novo material balneoterápico.
Actualmente o piso superior do edifício serve como extensão do hotel: "Nesta zona também há alojamento, há pessoas que querem sair do tratamento e ir directamente para o quarto, por isso fizeram-se aqui 12 quartos." (João Ramos).
O piso intermédio é o do balneário propriamente dito. Aqui se encontra a sala de tratamento ORL, a sala de descanso, e as cabines de hidromassagem, banhos de bolha de ar, duche Vichy, vapor a coluna e de duche escocês. Neste piso há ainda a sala de nebulização colectiva e a piscina termal, ambas desactivadas, a primeira por falta de procura e segunda por ser actualmente objecto de obras de renovação para dotá-la vários postos de hidromassagem.

No piso inferior encontra-se a parte de recepção e secretariado, os gabinetes médicos e a zona de cabines de massagens.

 

Natureza

Sulfúrea sódica, hipertermal (46º)    

 

Alvará de concessão

1912 - Diário do Governo, nº 89, de 16 de Abril - concessão das Caldas da Fonte Santa (Manteigas), a favor da CM de Manteigas, com uma área reservada de 80 hectares.
1912 – A 11 de Maio a exploração é cedida à Empresa Paraizos & Cª
1929 – Portaria de 8 de Novembro, autorizando o arrendamento a José Martins Lucas Pereira & Companhia
1963 – A 16 de Agosto, a exploração volta à Câmara Municipal que o cede ao Instituto de Obras Sociais. Mais tarde, por extinção deste após o 25 de Abril, passa para o Centro Regional de Segurança Social da Guarda.

1990 – Passa para o INATEL.

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Historial

No Aquilégio (1726) são mencionadas duas nascentes, a “chamada Caldas Pequenas” e a Fonte da Lapa. Sobre a primeira, Henriques informa-nos que a sua água é sulfúrea e tem “a virtude para curar achaques cutâneos, e para queixas espuriais de nervos, e juntas, em temperamentos quentes. Hão de tomar-se banhos em tina, visto que não têm tanque.” Sobre a fonte da Lapa, o mesmo autor afirma que “não se usa desta água para nada, mas é de crer que os seus banhos sejam bons para os achaques de nervos, estupores, paralisias, tolhimento das juntas; e para os males cutâneos; utilidades, que costumam experimentar nos banhos de águas que correm por minerais de enxofre”.
Segundo Amaro (1975), a Rainha D. Maria I confirmou a posse da Câmara de Manteigas sobre as Caldas em 1794, e após a lei de 1892 a autarquia manteve-se como exploradora, sendo-lhe reconhecido o alvará de concessão em 1912.
Simões (1979) transcreve um texto sem mencionar o autor e data, em que nos fala de um curioso tanque na Fonte Santa: “Nasce esta debaixo de uma pedra grande, e vai para um poço feito pela natureza, no qual poderão caber quatro ou cinco pessoas juntas, metido entre penhascos, de tal sorte que só por uma parte se pode entrar de pé, e de outra parte com grandioso trabalho…
Francisco Tavares escreve em 1810 que “são duas as origens donde sai águas termais na vila de Manteigas […] Chamam à primeira fonte Caldas Pequenas, porventura em razão do menor grau de calor que possuem. A outra é a Fonte da Lapa, cuja temperatura é muito superior ao calor natural do corpo, a qual, contudo padece algumas variações ocasionadas pelas vizinhanças do rio Zêzere, que lhe mistura suas águas. Uma e outra nascente são mineralizadas pelo gás hidrogénio sulfurado.
Cunha (1841) descreve três banhos: “O Banho Fresco, o segundo, mais abundante, tem um tanque, seguindo a água para um terceiro banho, separado também com o seu tanque” (cit. Acciaiuoli 1944, III: 79).
 No "Jornal dos Facultativos Militares" de 1845, as Caldas são descritas pelo cirurgião Santos como tendo “três tanques, mas sem casa de abafo” (cit. Acciaiuoli 1944, II:140).
Félix (1877) diz que as Caldas de Manteigas, “famosas em todo o reino, são as mais frequentadas da Beira Baixa, apesar das condições”. O mesmo autor menciona três nascentes, sendo que a terceira, no leito do Zêzere, “não tem tanque”.
Da descrição de Lopes (1892) deduz-se que já tinha sido construído um balneário com quatro banheiras e um tanque, “abrigados num escuro e pequeno casebre”.
Este balneário seria modificado pouco depois. No "Águas de Portugal" de 1939, Acciaiuoli reproduz uma fotografia onde se vê a entrada destes, com o aspecto de dois pavilhões de pequena indústria de lanifícios, com duas pequenas portas sobre as quais existia um respirador.
Em 1911 Lepierre faz uma análise sumária das águas e Melo escreve o Relatório de Reconhecimento, onde relaciona três grupos de nascentes: das Caldas; da fonte Santa; e do Zêzere.
No ano seguinte a concessão é dada à Câmara Municipal de Manteigas, que em 1915 vem a construir um novo balneário com divisão para os dois sexos, com 24 cabines para banhos de imersão, uma sala de duches e outra de inalações.
Em 1929 a câmara arrenda os balneários a José Martins Lucas Pereira & Companhia
Dez anos depois, no "Relatório Anual da Inspecção de Águas", Acciaiuoli escreve que “foi vistoriada a Estância, tendo sido mantida a intimação acerca das captagens, sob pena de multa”.
No ano seguinte (1940) foi apresentado à Inspecção o “estudo preliminar para a revisão das captagens”, que nos informa que as captagens então existentes datavam de 1914, e constavam de muros de alvenaria em redor das emergências que recolhiam a água e a conduziam para o balneário. Neste relatório são também mencionadas as ruínas de hotel, destruído por um incêndio.
Em 1963 as Caldas voltam à posse da Câmara Municipal, que as cede ao Instituto de Obras Sociais – Federação de Caixas de Previdência. Por extinção deste, após o 25 de Abril 1974, passam para o Centro Regional de Segurança Social, que 1990 as transmitem ao Inatel. Em 1999 os balneários fecharam para obras de remodelação das redes de aduação e distribuição da água e novo equipamento de balneoterapia. As novas captagens foram feitas por furos hertzianos provisórios, a uma profundidade de 100 m, onde se conseguiu obter água a 48º.

Actualmente o Inatel tem programado abrir as Caldas ao turismo de saúde, atraindo os turistas da neve: "É no Inverno que nós estamos a começar a activar os programas de Bem-estar, aproveitando as pessoas que vêm à neve, que façam também uns banhos, uma sauna." (João Ramos).

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Alojamentos

Complexo de turismo INATEL - Serra da Estrela, com três unidades: Hotel Termal, Casa da Roda e Casa da Estrada. "No conjunto temos 65 quartos, o que dá uma média de 120 a 130 pessoas. Fechámos o ano passado com uma ocupação de 67%" (João Ramos).

O hotel foi construído na década de 1930, quando o arrendamento pertencia a José Martins Lucas Pereira & Companhia, também proprietário da fábrica de lanifícios e da Casa da Roda. "Depois o hotel deixou de funcionar, esteve cedido à escola de Hotelaria de Manteigas durante muitos anos, depois foi recuperado pelo INATEL e agora funciona como alojamento." (João Ramos)

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Recortes

JN – 8/9/04 (Luís Fonseca) – "Termas de Manteigas no coração da Estrela - Estância termal do INATEL alia a vertente medicinal à turística e daí a afluência" Destaque: "Há cada vez mais procura da estância termal"
JN – 27/7/00 (Carla Campanela) – "Termas reabrirão no próximo mês"

JN – 25/5/98 – "Melhor termas menor isolamento" – "O Homem não tentou acompanhar a Natureza e não melhorou as acessibilidades desta região"

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Bibliografia

Abreu 1895, Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a;  1948b; 1949-50; 1953. Almeida 1975, Ayuso 1946, Baptista 1874-79, Calado 1995, Chernovitz 1878, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Correia 1922, Costa 1819, Félix 1877, Cunha1841, Henriques 1726, Leal 1875-80, Lepierre 1911, Lopes 1892, Mangorrinha 2002, Melo 1911, Monteiro 1908, Morais 1948, Narciso: 1920; 1926; 1947.  Pamplona 1935, Rocha 193, Roquete 1888, Santos 1845, Simões 1979, Tavares 1810, Vale 1845, Le Portugal Hydrologique e climatique 1930-42, Anais do Conselho de Saúde Pública do Reino 1841, Águas Minerais do Continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas Portuguesas 1910, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963

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Dados gerais

Distrito
Guarda

Concelho
Manteigas

Freguesia
S. Pedro       

Povoação/Lugar
Lugar das Caldas 

Localização
A 2,5 km da sede do concelho, no vale glaciar do rio Zêzere, a uma altitude de 800 m.  

Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio: Tejo (Zêzere)      

Zona geológica
Maciço Hespérico - Zona Centro-Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas magmáticas (granitóides)   

Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l de CaCO3

Concessionária

Inatel – Serra da Estrela

Telefone
275980300

Fax
275980340

Morada
Ap. 17, 6260-012 Manteigas

E-mail / site

cf.manteigas@inatel.pt

 

 

 


O balneário




O Hotel das Termas




O Balneário




Duas fotos do balneário na década de 1940 (In Acciaiuoli,1944)




A capela da termas