AVISO: A informação disponibilizada neste site tem como data de referência o ano 2002 e pode encontrar-se desactualizada.


[O Balneário]

 

Época termal
2 de Maio a 16 de Novembro, horário: 8-12h. e das 15.30-18h, Domingos e feriados 8-12h.

Indicações

Doenças do aparelho respiratório (ORL e pneumologia), doenças do aparelho locomotor (reumáticos e músculo esqueléticos), dermatologia. (folheto do Inatel)

Tratamentos/ caracterização de utentes

Director Clínico: Dr. Francisco Redondeiro; 10 técnicos de balneoterapia.
Tratamentos:
Balneoterapia: banhos de imersão simples, com bolha de ar, hidromassagem; duche Vichy, vapor à coluna e membros; duche de jacto.
ORL: Aerossol, gargarejo, inalação, irrigação, nebulização e pulverização.
A frequência tem sido a seguinte: 1998 - 1768 aquistas; 1999 - 840 aquistas; 2000 - 708 aquistas; 2001 - 1925 aquistas; 2002 - 1732 aquistas.
Para se frequentar esta termas é necessário ser sócio do Inatel, sendo os seus frequentadores sobretudo grupos organizados em programas de termalismo sénior.
Não está previsto actualmente iniciar os programas de “Bem-estar termal” e a obrigatoriedade da consulta médica permanece para qualquer tipo de tratamento termal.

Também os tratamentos feitos com lamas locais, mencionados ainda na primeira metade do século XX, foram completamente esquecidos: "Tratamentos em lamas aqui, penso que nunca houve. Eu trabalho cá há 36 anos e nunca conheci isso. A Inatel tomou conta disto em 1970, eu já cá estava há um ano." (Técnica de balneoterapia)

 

Instalações/ património construído e ambiental

Lopes (1892: 220) faz a descrição das várias nascentes: “Seus nomes são, caminhando de Entre os Rios: Primeira nascente da Quinta da Torre […] foi premiada na exposição industrial Lisboa em 1888. Segunda nascente da Quinta da Torre, a 80 metros para Norte da Primeira, descoberta em 1816 por ocasião de umas questões entre o povo da localidade e os proprietários da primeira. Terceira nascente da Curveira, a 300 metros para norte desta última […] A quarta nascente da Várzea, a 800 metros a Norte da Curveira […] e outras pelo lameiro dos lodos. É por este mesmo lodo, de alguns metros de espessura, que as águas sulfúreas emergem com abundância, límpidas e com uma temperatura superior em 4º à da atmosfera. O aproveitamento terapêutico desta enorme quantidade de lamas seria empresa de grande futuro económico e humanitário.
A nascente da Torre era então protegida por uma construção piramidal em pedra, semelhante à existente nas Caldas de São Lourenço, obra do século XVIII, que terá sido demolida já no inicio do século XX e que se encontra representada num painel de azulejos no “Novo Hotel”
Quanto ao ambiente e paisagem, temos a bucólica descrição de Ortigão (2000: 68): “Nas noites de Verão, quando os «amigos silêncios da lua» se desenrolam dormentes e eléctricos sobre a larga superfície aquática, os que contemplam esse largo espectáculo, da pequena língua de terra chamada Entre-os-Rios, sentem a influência melancólica da poesia dos lagos. A imaginação afunda-se nas velhas legendas da água, em cujas profundidades existem os palácios encantados, de coral e de pérolas, habitados pelas sereias e pelos génios aquáticos, filhos do beijo amoroso da corrente e do luar, cuja alma exala do seio da elemento nos aromas da flor dos nenúfares.”
Esta descrição corresponde à paisagem que se goza da povoação de Entre-os-Rios, cerca de 3 km a sul do local da estância. As Caldas de Entre-os-Rios formam actualmente um Centro de Férias do Inatel, num formoso parque florestal de cerca de 10 hectares na vertente para a ribeira de Matos, onde não faltam velhas árvores de espécies exóticas. O património construído dentro do parque é composto pelo Hotel, construído em 1896, o balneário, construído na mesma data, o Novo Hotel, inaugurado em 1911, e uma capela neogótica da década de 1920.
As nascentes atrás descritas estão desactivadas, e a água utilizada nos tratamentos é captada a 120 m de profundidade.
O balneário é uma construção ao gosto neoclássico, com duas alas laterais à buvete central. Na ala direita encontram-se as cabines para os tratamentos balneoterápicos (Imersão; hidromassagem; Vichy; vapor à coluna e os membros; duche de jacto) e ainda uma sala para tratamentos ORL, e uma outra para gargarejos, além de uma sala de repouso. Na ala esquerda encontram-se a secretaria, os gabinetes médicos e os tratamentos de fisioterapia.

Todas estas instalações foram remodeladas em 1997, mantendo a sua estrutura original. Manteve-se as velhas e belas banheiras de mármore para os banhos de imersão simples, algumas artesanalmente convertidas em banhos de vapor à coluna, instalando sobre a velha estrutura o plano onde o aquista se deita. Quanto aos outros aparelhos hidroterápicos hidromassagem e Vichy como dos tratamentos ORL, foram adquiridos aquando dessa remodelação.

 

Natureza

Sulfúrea sódica (Calado 1995)

Sulfúrea sódica doce, de reacção muito alcalina, bicarbonatada sódica, carbonatada, fluoretada, Sulfidratada, contendo parte sílica sob a forma ionizada (folheto do Inatel)

 

Alvará de concessão

1894 - Alvará de Concessão, publicado no DG, n.º 230 de 10/10/1894
1905 - Alvará de Transmissão, publicado no DG, n.º 103 de 8/5/1905

1997 - Actual contrato (22/8/1997)

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Historial

Tavares (1810) descreve assim as nascentes: “Sai pela fenda de uma duríssima rocha [...] na quantidade de meia telha, uma água muito fria e cristalina, cujo cheiro sulfúreo começa a sentir-se em distância de vinte passos ou pouco mais. Na superfície da água junta na bacia de água onde cai, formada do mesmo rochedo, observa-se à superfície uma crosta alvacenta resplandecente e em todo o transito que faz para o rio Tâmega se faz denegrida, o que sucede também sobre o papel pardo que se lhe mergulhe, e arde em chama e cheiro próprio depois de seco. É muito abundante de gás hidrogénio sulfurado tão intimamente combinado, que sem perda em garrafas bem tapadas não somente conserva as águas transportadas a sua eficácia, mas dura meses, e por ventura mais de ano sem diminuição das suas qualidades e virtudes medicinais. Haverá doze anos, que esta água começou a ser conhecida, e aplicada internamente pelos sábios médicos do Porto, tirando delas vantagens, que de outras da Província não tinham alcançado nos casos em que as águas sulfúreas são aplicadas . Deverão elas huma grande parte de suas virtudes a alguma porção de ferro?
A comprovar esta aplicação pelos “sábios médicos do Porto”, há anúncios publicados na "Gazeta de Lisboa" ao longo do ano de 1815, referindo a venda desta água na Botica do Hospital Real da Misericórdia do Porto ou na nascente, ao preço de 20 réis, não incluindo a garrafa. Quanto ao ferro que Tavares questiona como sendo possivelmente uma das suas”virtudes”, sabemos que ele é inexistente pela análise de Ferreira da Silva (1938).
Quanto ao primeiro aproveitamento terapêutico destas águas, Lopes (1892) discorda de Tavares: "Não se pode prever a época de descobrimento destas nascentes, mas sem dúvida é muito anterior à que lhe pretendeu dar o Dr. Tavares no seu Aquilégio. Um Tombo do mosteiro de Paço de Sousa, mandado fazer pelo abade Paulo Pereira mostra, nas folhas 166, que estas caldas já eram conhecidas e frequentadas em 1551. Em 1795 há igualmente documentos que atestam o mesmo facto. O médico de Penafiel, António Pimentel, referindo-se a elas numa memória então enviada à Academia das Ciências, disse ignorar a época das suas primeiras aplicações, mas que ouvira delas falar em 1791, presumindo por isso dever talvez datar de meados do século XVI.”
Mas à época da redacção do trabalho de Lopes não havia ainda nenhum estabelecimento balnear. O alvará de exploração foi concedido dois anos depois(1894) à Sociedade das Águas de Entre-os-Rios, formada por Gaspar Ferreira Baltar, Eduardo da Silva Machado e Joaquim França Oliveira Pacheco. Foram estes três capitalistas do Porto que edificaram, nesse final do século XIX, a estância da Torre, com o seu Grande Hotel.
Sarzedas (1908) não poupa elogios a todo o complexo termal: “Inexcedíveis, a estância com o seu esplêndido hotel e estabelecimento termal anexo […] É a água da nascente da Torre, preferida pela sua notória estabilidade e riqueza de mineralização, a que é empregada no uso interno, assentando sobre ela a buvete, onde chega por tubagem de vidro; servindo, a mais, as inalações, pulverizações e gargarejos e o engarrafamento para exportação. Os banhos de imersão, amarelos ou brancos, os de lamas ou lodos e os duches são alimentados pelas outras fontes.
Para todas estas aplicações, possui a estância instalações apropriadas e muito bem cuidadas, figurando, entre elas o valioso auxiliar de um gabinete de bacterioscopia, muito convenientemente dotado […] Num mesmo pavimento assentam os duches de 1ª classe, banhos de imersão de 1ª e 2ª classes, com banheiras de mármore, e o serviço de banhos de lodos.
Figura também neste pavimento uma sala ampla para o serviço das massagens e ginástica sueca, dotada com aparelhos fixos e móveis indispensáveis para as posições fundamentais de umas e de outras, que ali são dirigidas por um profissional sueco. É a única estância do país que reúne estes dois.
Num outro pavimento mais modesto instalaram-se os banhos de 3ª classe e prepara-se uma nova instalação de duches de 2ª classe que, depois de completa, deverá ficar em boas condições.”
O catálogo "Águas e Termas Portuguesas" (1918) considera as instalações só comparáveis às do Gerês. O mesmo tipo de referências é repetido nos relatórios de
Acciaiuoli, nas décadas de 1930 e 40, mas a frequência era então muito baixa, abaixo nos 300 aquistas ano, um quarto do número de frequentadores da vizinha Estância de S. Vicente.
O "Anuário" (1963) nada acrescenta sobre o estabelecimento. Em 1970, a então FNAT adquiriu todo o complexo termal da quinta da Torre: balneário, dois hotéis e capela, além de todo o parque termal, e a zona agrícola onde se produz o vinho D’Ega .

Em 1997 o Inatel remodelou todas as instalações, criando um centro termal e de férias para os trabalhadores sócios deste instituto.

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Alojamentos

O Centro de Férias tem duas unidades hoteleiras, o Grande Hotel (1894), onde funciona também a parte administrativa das termas, e o Novo Hotel (1911). Não foi possível saber o número de quartos existentes, nem visitá-los.

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Recortes

JN -11/9/00 (Fernando Seixas) Termas de Portugal – Estância da Torre nos carris da modernidade – Centro de Férias do Inatel em Entre-os-Rios está a proceder a uma remodelação total, para responder às novas exigências.

JN -16/4/03 (Júlio Rodão) – Terras de Eja têm boas águas e produzem belos vinhos. Destaques: Procurado bálsamo e benfazejo; Clube de Férias privado para todos os trabalhadores.

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Bibliografia

Acciaiuoli: 1936; 1937; 1940; 1941; 1942; 1944; 1947;1948a;  1948b; 1949-50; 1953. Almeida 1816, Almeida1827, Azevedo 1867, Baptista: 1884; 1903; 1905; 1908; 1909; 1920; 1926; 1933; 1934. Bastos 1934, Brandt 1881, Brito 1945, Carvalho 1920, Chernovitz 1878, Contreiras 1937, Contreiras 1951, Correia 1911, Correia 1922, Costa 1819, F.C. 1896, Félix1877, Forjaz 1926, Leal 1875-80, Lemos 1934, Lepierre 1933, Lima 1911, Lopes 1892, Lourenço 1867, Mac Bride 1931, Mangorrinha 2002, Melo 1923, Mira 1948, Monteiro 1889, Morais 1943, Narciso: 1920; 1924; 1933; 1948. Neiva 1946-47, Ortigão 1875, Pacheco 1894, Salgado 1938, Santos 1907, Silva 1881, Silva 1909, Silva 1906, Silva 1908, Tavares 1810, Vale 1845, Vasconcelos 1847, Águas minerais do continente e Ilha de S. Miguel 1940, Águas e Termas Portuguesas 1918, Anuário Médico-hidrológico de Portugal 1963, Gazeta de Lisboa 1816, Le Portugal Hydrologique et Climatique 1930-42, Termas de Portugal 1947.

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Dados gerais

Distrito
Porto

Concelho
Penafiel

Freguesia
Portela ou Eja       

Povoação/Lugar
Torre 

Localização
Na povoação da Torre, à beira da EN-106, na margem direita do Ribeiro de Matos, perto da confluência do Rio Tâmega com o Rio Douro.  

Província hidromineral
B / Bacia hidrográfica do Rio Douro      

Zona geológica
Maciço Hespérico – Zona Centro-Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas magmáticas (granitóides)   

Dureza águas subterrâneas
0 a 50 mg/l de CaCO3

Concessionária

Inatel

Telefone

210027000
Quinta da Torre 255616059

Fax

 210027027
Quinta da Torre 255615170

Morada

Inatel
Cç. Santana, 180
1169-062 Lisboa

Quinta da Torre
Torre
4575-416 Portela de Penafiel
 

E-mail / site

cf.erios@inatel.pt

www.inatel.pt

 

 


Uma rua do parque termal



O novo Hotel




A capela das termas