
Tipo de exploração:
Água para ingestão
Natureza da água:
Água de nascente
Indicações:
Digestiva

[Alcácer do Sal vista do cais da Fonte dos Negros]
Época termal
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Actualmente não são atribuídas qualidades curativas a nenhuma destas nascentes. A Fonte dos Negros é a mais procurada, sendo a água recolhida para consumo doméstico: “Vem malta da vila e de todo o lado, gastam gasóleo e gasolina para vir aqui buscar água, é garrafas cheias de água.” (informante)
Tratamentos/ caracterização de utentes
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Instalações/ património construído e ambiental
Na margem esquerda do Sado
Fonte dos Negros – Das nascentes em volta de Alcácer é a mais procurada, não só pelo acesso fácil como pelo caudal sempre constante. A fonte encontra-se ao fundo do Bairro do Forno de Cal. Num pequeno largo desce-se umas escadas para o canal, do lado esquerdo; uma outra escada dá acesso à bica, que se encontra a um nível inferior ao do canal: “Está sempre a correr, há muita gente que vê o canal cheio e pensa que é água do canal, mas não é. Antes do canal ser feito já aqui estava, está sempre a correr.”
O canal de irrigação dos arrozais foi construído na década de 1960, altura em que se construiu também a fonte. A pedra escavada de que se fala no Aquilégio (1726) encontra-se do outro lado do canal, em direcção ao rio. Do lado direito do cais encontra-se um tanque de lavagem e por detrás a pedra escavada por onde dantes corria a água.
Fonte da Rainha – Ao nível do canal, forma um pequeno átrio, com pequeno frontão triangular, a que desce por três degraus. Sobre a bica encontram-se iniciais pouco legíveis e data de 1964. Não é utilizada, e a água já não cai da bica mas da base do pequeno átrio; encontra-se coberta por silvas.
Fonte dos Camaroeiros – De frontão rectangular, onde ao centro se encontra uma bica de onde cai um fio de água, sobre a qual está inscrita a data de 1-10-1952. Embora sem mato nem silvas, não parece utilizada.
Fonte da Morgada – Desactivada e sem memória da sua existência. Existe sim um barranco que em tempos foi utilizado pelos jornaleiros do Monte da Morgada, como nos disse um dos trabalhadores, homem dos seus rijos 70 anos: “Até porque aquela água ali não tem nascente, acho que não. Porque dantes as invernias eram muito grandes e as águas vinham por aí abaixo e ficavam na terra, como aquilo ali é um bocadito baixo vinha ali parar, corria ali depois uma bicazinha. No tempo em que havia muita água tinha sempre alguma, mas não era água que nascesse, era água que vinha pela ribeira abaixo, acumulava-se ali, não era uma nascente.”
Na margem direita do Sado
Fonte do Rio dos Clérigos – Com a construção do Bairro de Rio de Clérigos, a fonte que se encontrava num pequeno largo foi destruída e a sua água canalizada para um tanque de rega de hortas que se encontra um pouco à frente, na estrada para o Bairro do Laranjal.
Natureza
Ingestão
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Citando o Aquilégio (1726):
Fonte do Rio dos Clérigos: “A Vila da Alcácer do Sal, em outros séculos chamada Cidade Imperatória, não tem dentro em si fonte de água que bebam, mas têm muitas no seu limite, donde a levam para o seu uso. Uma que chamam do rio dos Clérigos, está em uma fazenda de pessoa particular, em terra de areia; lança grande cópia de água, que sobre ser boa, é diurética, e desopilativa, preserva dos achaques da pedra, e da hidropisia, males, que raríssimas vezes se têm visto naquela vila.”
Fonte do Pote Viceiro: “No limite da mesma vila de Alcácer do Sal, há outra fonte, a que chamam do Pote Viceiro, de água que corre ao nascente por terras de areia, é clara, leve, de bom gosto, e tem a virtude diurética, e desobstruente, com que se aproveita nos achaques de pedra, e nas opilações, e hidropisias.”
Fonte dos Negros: “Esta fonte está da outra banda do rio em pouca distancia; usa dela a gente de Alcácer do Sal, que a vão buscar em bateis. Nasce em uma grande altura de areia, e vem correndo por uma brenha de silvas, e fetos, até cair em uma pedra, em que por continuação tem feito uma grande cava. É a água desta fonte muito delgada, faz bom cozimento, e digestão do estômago; é diurética, desopila, e preserva de pedra, e hidropisia.”
Fonte da Morgada: “Em distancia de meia légua da dita Vila de Alcácer do Sal, comarca de Setúbal, em uma fazenda de Francisco Carvalho de Figueiredo, há uma fonte, a que chamam da Morgadas, que lança água em grande abundância, é muito clara, leve, de bom gosto, nunca ofende por mais que dela se beba; é muito diurética; e tem as mesmas propriedades, e virtudes, que no número antecedente dissemos da fonte dos negros.”
Fonte da Rainha: “Há mais no limite da dita Vila de Alcácer do Sal outra fonte a que chamam da Rainha, de água excelente, e com virtude diurética, e desobstruente, e por isto útil para curar, e preservar de obstruções, de hidropisia anasarca, e de queixas nevríticas. Esta fonte é visitada todos os anos pelo Senado da dita Vila.”
Fonte dos Camaroeiros: “Meia légua da vila de Alcácer do Sal, da outra banda do rio está a fonte chamada dos Camaroeiros; nasce em um grande monte de areia, coberto de fetos, e corre de uma pedra em grande abundância, no Estio fria como neve, no Inverno tépida. É a melhor de todas as águas que se usa na vila; tão delgada, que nunca ofende por muita, porque logo busca as vias da urina; é desopilativa, diurética, boa para queixas nefriticas, e para preservar de obstruções, de pedra e de hidropisia.”
Acciaiuoli(1944, V) repete a notícia do Aquilégio, englobando todas as nascentes numa só alínea, com o título Nascentes de Alcácer do Sal.
Na carta militar à escala 1:25.000, de 1944, além das nascentes visitadas, estão indicadas mais outras quatro, na margem esquerda do Sado, entre o Porto das Lezírias e o Monte da Morgada, numa extensão de cerca de 3 km. Todas estas nascentes desapareceram com a construção do canal na década de 1960, como nos disse um dos informantes no Bairro da Cal: “Aqui havia esta, havia ali a Fonte do Concelho, onde as mulheres vinham também lavar a roupa, depois havia a Fonte do Rio Pinhal, e outras, mas o canal deu cabo disso tudo, fizeram o canal e só sobrou esta aqui no bairro [Fonte dos Negros]”. O tempo em que os moradores de Alcácer procuravam estas águas já vai longe, assim como o dos ranchos de jornaleiros da apanha do arroz: “Acabaram com as fontes, […] dantes era para o pessoal vir buscar água, para os ranchos que andavam aí a mondar o arroz, não sei o que fizeram daquilo, deram cabo dela [Fonte do Concelho).”
A razão do pequeno caudal das fontes dos Camaroeiros e da Rainha é atribuído a outro facto: a captação municipal de água feita por furo artesiano na margem oposta do rio, na Ameira (abaixo da estação de caminhos de ferro): “Mas agora desde que fizeram além aqueles furos ela foi-se abaixo. Os furos são além onde estão aquelas casas, não vê, na Ameira” (Informante no Monte da Morgada). Esta captação terá encontrado o mesmo aquífero que fornecia água a essas duas nascentes: “É um rio de água que passa por debaixo do Rio Sado e vão captá-la ali à Ameira.”
Quanto à Fonte do Rio dos Clérigos estamos perante um caso de má gestão ambiental, ao permitir a construção de um bairro sem tomar em conta o aproveitamento tradicional de uma nascente.
A Pousada no Castelo de Alcácer no Castelo é o ex-libris desta bela vila do Sado, existem ainda várias Residenciais e Pensões na vila.
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Acciaiuoli 1944; Henriques 1726.
Freguesia
Santa Maria
Povoação/Lugar
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Localização
Rio dos Clérigos
Num bairro da periferia de Alcácer. A fonte está destruída e a água é aproveitada para rega de hortas.
Pote Viceiro – Possivelmente é a que chamam actualmente de Fonte das Cotovias (não foi visitada). Toma-se um caminho junto da estação de reciclagem de resíduos sólidos de Alcácer ( antiga EN para Setúbal).
Negros – Na margem esquerda do Sado, no Bairro do Forno de Cal, junto do canal.
Morgada – Na margem esquerda do Sado, no Monte da Morgada. Desactivada.
Rainha. Na margem esquerda do Sado, à beira do canal. Na EN 253, na direcção Alcácer - Comporta, ao km 23, há uma fábrica de concentrado de tomate; 50 m à frente do lado direito, um caminho que passa junto de casas em ruína leva até ao canal; aqui segue-se para jusante pela margem esquerda, e a cerca de 300 m fica a nascente.
Camaroeiros – Depois da Fonte da Rainha, continuando para jusante, sempre na mesma margem do canal, a nascente fica a cerca de 1 km.
Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio Sado
Zona geológica
Bacia Terciária do Tejo e Sado
Fundo geológico (factor geo.)
Rochas sedimentares (predominantemente arenitos pouco consolidados)
Dureza águas subterrâneas
0 a 100 mg/l de CaCO3
Concessionária
Uso popular
Telefone
n.d.
Fax
n.d.
Morada
n.d.
E-mail / site
n.d.





“Das termas aos "spas": reconfigurações de uma prática terapêutica”
Projecto POCTI/ ANT/47274/2002 - Centro de Estudos de Antropologia Social e Instituto de Ciências Sociais