AVISO: A informação disponibilizada neste site tem como data de referência o ano 2002 e pode encontrar-se desactualizada.


[As captações de água camarárias construídas sobre as nascentes]

 

Época termal
---

Indicações

“Diurética, e desobstruente do estômago” (Aquilégio 1726).

Tratamentos/ caracterização de utentes

---

 

Instalações/ património construído e ambiental

No final da década de 1960 foi construída a estação de captagem do Borbolegão, sendo um dos poços de captagem erigido sobre o Olheirão, referenciado pelas suas insólitas características desde do século XVIII, como relatou o Dr. Germisindo Silva, do Departamento Cultural da Câmara de Grândola: “Há muitas histórias acerca do Borbolegão, essa de se alterar com as marés é mais outra. Mas esta nascente já não é o que era. A água nascia relativamente à superfície, e em miúdo ainda tive ocasião de assistir a isso, a quantidade de água que saía não era constante, havia momentos em parecia que borbulhava de maneira diferente. Era devido a essas diferenças de caudal e de ruído que produzia que as pessoas faziam esse tipo de associação com as alterações do mar. É uma nascente com um manancial de água extraordinário.”
Também a guarda da estação elevatória se recorda como era o Borbolegão na sua infância: “Aqui é que era o Olheirão, chamava a gente. Jogavam coisas ali para dentro aquilo sumia-se tudo, até diziam que ficou ali uma carreta com dois bois, não sei se é tradição se foi mesmo verdade. Agora de jogar coisas lá para dentro lembro-me. Eu andava ali na escola e ás quartas-feiras as professoras vinham para aqui, ainda não existia nada aqui, elas não deixavam, mas a gente, as mais atrevidas, iam buscar pinhas e assim coisas e atiravam lá para dentro e aquilo sumia-se tudo, via-se. Era aqui em volta de uma areia branca, agora está tudo tapado.”A história da carreta de bois engolida pelo nascente ouvimo-la também nos Olhos de Fervença, concelho de Cantanhede, que além desse lendário poder de sucção têm outras semelhanças com a presente nascente: a água também “borbulhava” de uma areia branquíssima, e seu enorme manancial também foi aproveitado para o abastecimento público. Só que em Olhos de Fervença esse aproveitamento contemplou, além da captação municipal, uma ordenada e bem equipada praia fluvial.

Natureza

“Eu lembro-me em miúda, parecia que a água fervia, na areia branquinha” (guarda da estação elevatória).    

 

Alvará de concessão

---

regressar ao topo da página

 

Historial

Segundo a Corografia (1706: 335-6), “Há no termo desta vila o celebre arroio do borbolegão, assim de água excelente assim por boa, como muita, o qual olho é do tamanho da roda de um carro: neste tem principio o rio Arcam, que se mete no Sado acima de Alcácer […] com esta água moem muitos moinhos todo o ano, e porque o rio com sua corrente se fez profundo que pelo áspero da terra fica incapaz de vau, o proveio a Divina providência com uma ponte , que o mesmo rio fez , rompendo ao profundo da terra por uma rocha de pedra branda, cuja brandura deixando levar do ímpeto das águas, formou um arco, aonde recolhe toda a água, ficando uma ponte, a que chamam dos Aivados, que se vê toda guarnecida de eras, fazendo uma aprazível vista, com a capacidade de passarem carros e carretas sem o perigo de se arruinar […]no borbolegão que acima se trata, se lança do alto um homem a pique, e cravando-se nele até os peitos, o ímpeto das águas o faz vir pouco a pouco, até que apanhando-o com as nádegas fora o lança na margem com tanta fúria e tão leve, como se fora uma cortiça; e o mesmo faz a qualquer pau, que se mete, por grande que seja: dentro dele se ouve estrondos como o que faz na costa o mar bravo, e vagadas na água como nas ondas.”
 O Aquilégio (1726) refere que “no limite da vila de Grândola, comarca de Setúbal, se acha esta fonte, por muitas circunstâncias digna de nota. Nasce ela em areia; e pela sua abundância da água, e pela velocidade, e ruído com que corre, lhe deram os naturais o nome de Borbolegão ou Gorgolhão. Fica distante do mar oito ou nove léguas, mas move-se aos seus movimentos, de maneira que quando o mar se altera, se ouve maior estrondo na fonte, e corre a sua água com maior força. Tem esta água todas as propriedades de boa; e ainda que se beba em grande quantidade, nunca faz dano; é diurética, e deobstruente do estômago.”
No Mapa de Portugal Antigo e Moderno (1762) a notícia referente a Grândola é confusa, localizando dois olhos de água com “propriedades contrárias” na “Serra do Algarve, que dista duas léguas desta Vila”. Mas o que talvez seja de reter é, no parágrafo sobre a nascente dos Olhos de Fervença (Cantanhede/Cadima), a justificação que o autor deu a este poder de absorção dos “olhos de água”: “A causa deste fenómeno é, porque ali há alguma oculta catarata, ou precipício, como bem explica o doutíssimo Feijó. Também na Freguesia de S. Mamede, termo de Alcácer do Sal, donde dista 4 léguas, está da parte poente um grande olho de água, que corre para o rio Sado, o qual sorve tudo quanto lhe lançam dentro: chamam-lhe Anceira.”
Ora se o autor fez tanta confusão com as nascentes de Grândola, é bem possível que também tenha confundido Anceira com Arcão, o rio que desagua no Sado, com uma das suas nascentes no Borbolegão e que dista de Alcácer do Sal aproximadamente quatro léguas (cerca de 18 km). Segundo o testemunho da guarda da estação elevatória, o poder de sucção do olho de água é ainda uma memória da década de 1950, o que nos leva a crer que Castro (1762) se referia a esta nascente do Borbelegão.

Quanto à ponte natural talhada na rocha mole pelas águas da nascente, descrita na Corografia, a erosão e o tempo fizeram-na desaparecer, tal como ao Olheirão, substituído por uma central de captagem, construída em 1967, mas, como nos disse a guarda da central, “os engenheiros que cá vieram disseram que se fosse agora já não faziam isto”.

regressar ao topo da página

 

Alojamentos

Residenciais em Grândola.

regressar ao topo da página

 


Recortes

---

regressar ao topo da página

 

Bibliografia

Castro 1762, Costa 1706, Feijó 1984, Henriques 1726

regressar ao topo da página

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Dados gerais

Distrito
Setúbal

Concelho
Grândola

Freguesia
Grândola        

Povoação/Lugar
Estação elevatória do Borbolegão  

Localização
A 7 km de Grândola, a 200 m da EN 120, na direcção de Alcácer do Sal, toma-se um estradão à direita no meio do pinhal; a 200 m fica a estação de captagem e tratamento de águas do Borbolegão.   

Província hidromineral
A / Bacia hidrográfica do Rio Sado       

Zona geológica

Para norte de Grândola: Bacia Terciária do Tejo e SadoPara sul de Grândola: Maciço Hespérico – Zona Sul de Portugal

Fundo geológico (factor geo.)

Para norte de Grândola: Rochas sedimentares (predominantemente arenitos pouco consolidados)Para sul de Grândola: Rochas metamórficas (xisto e grauvaques ) – serra de Grândola

Dureza águas subterrâneas
0 a 100 mg/l de CaCO3

Concessionária

captação municipal

Telefone
n.d.

Fax
n.d.

Morada
n.d.

E-mail / site

n.d.

 

 

 


A ponte sobre o riacho que se forma no
Borbolegão