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[O rochedo de onde brota a água]

 

Época termal
Maio a Novembro (em 2005 planeava-se a abertura anual)

Indicações

Dermatoses, reumatismo e catarros das mucosas (Correia, 1922)
Doenças da nutrição e vias respiratórias (Contreiras, 1951)

Tratamentos/ caracterização de utentes

Curiosamente Lopes (1892) fala de uma frequência de 600 aquistas e que estes se hospedavam em S. Salvador de Padreiro e em terras próximas.

Actualmente é de crer que a sua utilização não ultrapasse os limites do concelho, e a informação recolhida, desta água ir até “pró estrangeiro”, deve se referir a emigrantes oriundos da região que a recolhem para levar para os seus locais de residência.

 

Instalações/ património construído e ambiental

Ao centro do terreiro a capela de S. João, construção simples de planta rectangular sem nada de destacável no seu exterior, no lado oposto da estrada as ruínas de uma tentativa de bar, ou de sanitários para apoio à festa de S. João. Num extremo do terreiro um bar ambulante, como clientes, 10 homens a bebericarem cervejas num Domingo chuvoso.
A este terreiro - varanda sobre o Lima, Lopes (1892) classificou-o, como: aprazível sitio, do qual se goza um vasto e deslumbrante panorama.
Descendo por um pequeno carreiro (20m), na direcção do rio, chegamos ao local da emergência, onde a água corre dos mesmos modos da descrição de Almeida (1988, 345): “A água brota dum enorme maciço granítico correndo por uma bica de ferro adaptada nas frinchas dos rochedos.”
Se o local da nascente me pareceu agradável e limpo, o mesmo não se poderá dizer do Terreiro, de urbanização desprezada pela autarquia, numa zona condenada a ser Industrial. Será que todas as normas de controlo de poluições estão a ser seguidas?

Na descrição de Lopes (1892) são mencionadas várias nascentes, neste monte da Reboreda, com um caudal diário de 3800 litros. Mais tarde Acciaiuoli (1942) refere uma tentativa de se conseguir maior captagem no local por meio de tiros na rocha, com resultados opostos aos esperados. Estas duas afirmações leva-me a crer que o aquífero de Padreiro –Bravães é de maior capacidade do que as suas emergências denunciam,  a ser verdade, será razão válida para que a Câmara Municipal se preocupe com a protecção ambiental da zona.

 

Natureza

Sulfúreas sódicas, carbonatadas e siliciosas, hipomineralisadas (0,27g), frias (18,5º) (Correia, 1922).
Fracamente mineralizadas  (Almeida, 1978).     

 

Alvará de concessão

Não encontramos nenhuma referência ao alvará de concessão, mas Lopes (1892) referiu: empresa recentemente organizada para a sua exploração. Isto no mesmo ano da publicação da Lei das Águas (Set.1892).
Despacho ministerial, Declaração de Abandono, 31/05/1923

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Historial

No Aquilégio (1726) fala-se de lavagens rituais de S. João, mas a denominação dada á nascente é de Fonte das Virtudes, localizada: Na freguesia de Santa Maria de Távora, termo da vila de Arcos de Valdevez, há uma fonte a que chamam das Virtudes, porque lavando-se nas manhãs de S. João Baptista muitas pessoas achacadas, melhoram de suas queixas; e por isto é grande concurso de gente de várias partes no dia do Santo a banhar-se nela. Consta da Corografia Portuguesa…” .
O Dr. Mirandela, não visitou a nascente, as suas referências tirou-as da Corografia Portuguesa (1706), mas o Padre Costa depois de mencionar os banhos da manhã de S. João, acrescenta: “ outra mais abaixo junto do Rio Lima, a que chamam Caldas, frequentada na mesma manhã, cheira mal lavando nelas as mãos, & dali a pouco cheiram suavemente.”
Também  Frei Cristovão dos Reis, (1779), referiu o local de lavagem, ao enumerar a sua listagem de Fontes Medicinais: “fonte Santa na Freguesia de Brabães, a meia légua de Vila da Barca; Fonte das Virtudes, freguesia de S. Salvador de Padreiro, Arcos de Valdevez, nasce num penhasco, e tem uma pia tosca no qual se tomam banhos, e, na parte mais baixa, há um buraco para os doentes se lavarem “.
Tavares (1810, 55) escreveu sobre estas nascentes: “…nas margens esquerda e direita do Rio Lima nascem duas pequenas fontes de água mineral sulfúrea fria em tudo semelhantes. A primeira no sitio chamado a Fonte Santa na mesma margem do rio que a inunda com as suas enchentes; a outra no monte fronteiro e eminente saindo do meio de uma pequena fraga. Esta água é clara e muito diáfana, fria, com gosto e cheiro próprio das águas sulfúreas, e depõe por onde corre sedimento de cor alvacenta desmaiada, em consistência mucosa ou de geleia pouco espessa, da qualidade própria das águas termais sulfúreas. Ainda que não são frequentadas, talvez pela pouca abundância das nascentes e faltas de comodidades, podem com tudo ser de proveito para a vizinhança assim aquecidas para banho, como para uso interno. “     
São mencionadas no Topografia médica do Distrito de Viana, em 1841, como sendo nascentes de águas férreas, de Brabães em Barca e a das Virtudes na Freguesia de Padreiro em Arcos de Valdevez. (cit.Acc.44/II,134).
Lopes (1892, 327), trata das duas nascentes no parágrafo referente a Padreiro: “ perto da Reboreda da Freguesia de Rio de Moinhos, dista 6km da Vila da Barca, 7 de Arcos …. Este aprazível sitio, do qual se goza um vasto e deslumbrante panorama, tem um clima ameno … No monte de Reboreda, e na parte onde começa a sua descida para o rio Lima e ainda na margem direita deste brotam de um terreno granítico várias nascentes de água minero-medicinal, com um caudal superior a 3.800 litros em cada 24 horas. Os numerosos pontos naturais de emergência foram há pouco num só reunidos pelos trabalhos feitos pela empresa recentemente organizada para a sua exploração. Conhecidas pelos nomes de Padreiro, Reboreda ou Bravães, são todas frias, à excepção da que com pequeno caudal emerge de uma rocha granítica, junto à foz do Vez, a 4Km de Arcos, a qual tem 26º de temperatura.
Um tanque rectangular de cantaria, parecendo datar do começo do actual século, e servindo ainda para nele se banharem os doentes pobres, é o único vestígio do antigo aproveitamento destas águas. Hoje apenas há no local das nascentes uma capela e princípios de um modesto estabelecimento balnear há poucos anos erigidos por iniciativa particular … Os 600 doentes, portugueses e espanhóis, que por ano vão usar destas águas, têm que habitar Padreiro ou algumas povoações vizinhas, e ir todos os dias de carruagem ao lugar das águas, ou faze-las transportar para as suas residências. Em garrafas são elas exportadas em larga escala para diferentes pontos do Norte do país, onde chegam e se conservam longo tempo sem alteração…”           
 Acciaiuoli (1942, 224) Depois de citar Lopes menciona o relatório de Análise de Silva (1885): “são aplicadas e muito preconizadas no tratamento das doenças de pele, no reumatismo sub-agudo e crónico e internamente nos catarros gástricos e especialmente nos intestinais e ainda nos das vias respiratórias, na faringite granulosa e no artritismo”   . Terminando com uma informação recolhida no local: “… agora sai de um furo aberto, quando em tempos foram dados uns tiros na rocha onde brotava a água, para aumentar o caudal, tendo porém este diminuído […]  a água sai em cântaros onde é aplicada em banhos e gargarejos numa casa, na estrada, a 3 km da fonte, onde há quartos para alugar

Almeida (1988) esclarece as dúvidas entre as nascentes de Bravães e Padreiro: “ … as duas estão separadas pelo rio Lima […] as duas nascentes ficam situadas vis-á-vis” uma em cada margem do rio, portanto, muito próximas em linha recta

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Alojamentos

Residenciais e pensões em Arcos de Valdevez e Ponte da Barca.

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Recortes

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Bibliografia

Acciaiuoli 1942, Acciaiuoli 1944, Acciaiuoli 1947, Almeida 1988, Andrade 1894, Bastos 1934, Brandt 1881, Brito 1945, Carvalho 1841, Chernovitz 1878,
Contreiras 1951, Correia 1922, Costa1706, Costa 1819, Félix 1877, Henriques 1726, Leal 1875-80, Lemos 1934, Lopes 1892, Narciso 1920, Narciso 1920b, Pais 1887, Reis 1779, Roquete 1888, Silva 1885, Silva 1839, Tavares 1810, Le Portugal Hydrologique et climatique 1930-42.

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Dados gerais

Distrito
Viana do Castelo

Concelho
Arcos de Valdevez

Freguesia
Salvador de Padreiro       

Povoação/Lugar
Zona Industrial  de Padreiro 

Localização
Na antiga EN Arcos - P. Lima, a cerca de 2km toma-se o desvio à esquerda para a Zona Industrial, seguindo sempre para Sul em urbanização recente, chega-se a um grande terreiro sobre o vale do Lima, ao centro uma capela,. A nascente localiza-se na vertente voltada para o rio.  

Província hidromineral
B  / Bacia hidrográfica do Rio Lima      

Zona geológica
Maciço Hespérico – Zona Centro Ibérica

Fundo geológico (factor geo.)
Rochas Magmáticas (ácidas e intermediárias), granitoides e afins   

Dureza águas subterrâneas
0 a 50mg/l CaCO3

Concessionária

Uso popular

Telefone
n.d.

Fax
n.d.

Morada
n.d.

E-mail / site

n.d.

 

 

 


O local da nascente sulfúrea